Agora é sério: danos cerebrais nos fetos são causados pelo Zika

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O assunto do momento no Brasil é política, mas o PopScience! não aborda e nem vai abordar esse tema. Mas um tópico que não para no mundo é o Zika, que hoje é um problema mundial tão grande quando o Ebola foi há alguns anos.

Até então, pesquisas notavam que gestantes infectadas tinham bebês com microcefalia. Mais tarde, abortos espontâneos foram associados a infecção por Zika vírus, visto que os fetos tinham graves lesões cerebrais e o tão falado Zika vírus calcificado em seus cérebros. Recentemente, na Finlândia, cientistas conseguiram acompanhar um caso de uma grávida antes dos danos se iniciarem que pode ajudar em novas pesquisas.

A pesquisa

A Universidade de Helsinki publicou, no dia 30 de março de 2016, um estudo que demonstrou que o Zika vírus pode ser detectado no sangue da mãe, mesmo semanas depois dos sintomas desaparecerem. Foi possível detectar a lesão desde o início, antes mesmo do aparecimento das calcificações e da microcefalia que estão associados à infecção do Zika vírus.

Atualmente, recomenda-se fazer na gestação o acompanhamento pelo ultrassom e também fazer exame do líquido amniótico para detectar a presença do RNA do Zika vírus.

O estudo de caso se baseou em uma grávida que na 11ª semana de gestação visitou a América Central. Logo que voltou de viagem, tanto a gestante quanto o marido apresentaram os sintomas, que foi confirmado por exames feitos quatros semanas depois.

A paciente fez exames de ultrassom regularmente, além de verificar a presença do vírus no líquido amniótico. Nos primeiros exames de imagem, não havia alteração na circunferência do crânio do feto ou mesmo presença de calcificações do vírus, que chegou a níveis severos na 20ª semana gestacional. Dado o prognóstico tão grave, foi decido interromper a gestação.

A primeira parte do estudo foi isolar o tecido do cérebro infectado do feto numa cultura de células. Os pesquisadores mapearam o genoma do vírus e descobriram oito mutações, sendo bastante distinto do vírus que era encontrado nessa região. Acredita-se que a mutação  tenha acontecido devido à adaptação ao cérebro do feto.

Essa foi uma pesquisa que conseguiu identificar a presença do vírus antes dos danos severos acontecerem, além de isolarem o Zika vírus. Estudos anteriores identificavam o problema no feto já num ponto avançado.

O que essa pesquisa traz de novo?

O vírus isolado no período inicial, antes da calcificação, serve para que se façam pesquisas experimentais a respeito do Zika vírus quando está no sistema nervoso central do feto.

A pesquisa também ajuda a criar métodos de detecção do dano severo cerebral causado por esse vírus.

Fonte: http://www.nejm.org/doi/10.1056/NEJMoa1601824

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