Âmbar: A gema que guarda o passado

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Âmbar faz parte de um conjunto das gemas orgânicas. Geralmente, quando pensamos em gemas, pensamos em minerais, como diamantes e esmeraldas. Mas algumas têm uma origem diferente e ainda podem ser consideradas como gemas, como pérolas, marfim e alguns materiais orgânicos petrificados tais como osso de dinossauro ou madeira.

jurassic park ambar
Um momento de glória para a ciência? Não, só um filme de um parque cheio de dinossauros…

Se lembram do filme Jurassic Park, né?! Foi dali que clonaram os dinossauros, mas isso é só ficção científica. Não teria como isso acontecer, ninguém com uma bengalinha e um mosquito faria tudo aquilo! Não há DNA que dure tanto, nem condições para conservar o material entre outras coisas.

Mas e o âmbar?

O âmbar é uma resina fóssil que foi excretada por plantas há muito, muito tempo. Sabe-se que os pinheiros são os grandes responsáveis por esse acontecimento. Das gemas orgânicas que citamos, ela é a única de origem vegetal. Ao exemplo dos materiais petrificados, sua matéria orgânica é substituída por algum material mineral, como sílica ou quartzo.

Âmbar cru, sem lapidação.
Âmbar cru, sem lapidação. Crédito: James St. John/ CC2.0.
Um pequena história…

Não podemos considerar o âmbar uma pedra preciosa, mas já foi usado como tal pelos povos do Mediterrâneo que o descobriu e foi assim por muitos anos (houve um tempo que um pedaço valia mais que um escravo!). Quando os gregos esfregavam o âmbar num tecido, notaram que atraia objetos leves, como palha e grãos: observaram, então, a primeira atração eletrostática! A palavra latina electrum significa âmbar, já em grego era elektron. Graças a essa propriedade, surgiu o termo eletricidade!

Variedade de cores do âmbar do báltico
Variedade de cores do âmbar do Báltico. Crédito: Michal Kosior.

Uma das maiores fontes de âmbar conhecida é a região do Mar Báltico, acredita-se que tem sido explorado desde a pré-história.

Pinites succiniter

Existia um pinheiro conhecido por Pinites succiniter, ganhou esse nome por parecer com uma espécie parecida que havia no Báltico.

Acredita-se que devido às altas temperaturas da época, pelo menos há uns 30 milhões de anos, houve uma alta produção de seiva. Dentro desta árvore viviam muitos animais, fazendo com que preservasse até hoje sua forma. Era como um repositório paleontológico.

As origens do âmbar sugerem qu­e tenham vindo do seguinte grupo de pinheiros: Agathis, Hymanaea e Sciadopityaceae. Não seria possível designar a origem apenas a uma espécie, mas ainda assim, há muita gente estudando isso.

A cor

O âmbar é muito conhecido pela sua cor mais tradicional, que é um amarelo amarronzado, quase caramelo. Mas não existe só essa cor, há o âmbar verde, vermelho, branco, cinza, azul e preto. As cores mais raras são vermelha, branca e verde, mas a azul é ainda mais rara e valiosa de todas as cores!

âmbar azul
Âmbar azul de origem dominicana. Crédito: Vassil.

As gemas podem ser transparentes ou mesmo tender a um semitranslúcido.

Máquina do tempo

O que pode mudar o valor do âmbar é conter algo especial dentro dele, que pode lhe transportar há milhões de anos e são os fósseis.

Cientistas já encontraram muitas espécies diferentes dentro de peças de âmbar, sejam de plantas, insetos, aracnídeos ou pequenos répteis. Mais de 3 mil espécies extintas já foram descobertas assim.

Em 2011, teve o caso de um pesquisador canadense que encontrou penas de dinossauros que datavam 80 milhões de anos em uma peça de âmbar, até a cor das penas estavam preservadas!

Penas de dinossauros encontradas no Canadá
Penas de dinossauros encontradas no Canadá. Crédito: Science/AAAS.

E o que falar da aranha que morreu na hora H! Em plena lua de mel. A aranha da espécie Halitherses grimaldii é a única que o macho possui pênis. Em fevereiro de 2016, foi o primeiro caso de encontrarem um animal em âmbar em estado de excitação. A peça de âmbar data de 99 milhões de anos, mas a espécie já datava de 400 milhões de anos.

Aranha Ambar
Aranha com pênis ereto fossilizada em âmbar. Crédito: Jason Dunlop, Paul Selden, Gonzalo Giribet.

O âmbar pode ser um ótimo adereço ou uma ótima fonte de estudo.

 

Obs.:Nossa foto destacada é de uma mosca fossilizada em âmbar entre 47,8-38 milhões de anos atrás, no Mar Báltico, no Oeste da Rússia. Crédito: James St. John/ CC2.0

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