Ancestrais dos Índios Botocudos de Minas Gerais eram Polinésios

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Índios Botocudos, que viveram em Minas Gerais, intrigavam qualquer um pelos ornamentos de madeira usados em suas bocas. Mas o que ninguém imaginava é que eles eram grandes desbravadores. Após análise genômica em dois crânios do século XIX que estavam guardados no Museu Nacional, cientistas brasileiros e dinamarqueses descobriram que esses indígenas tinham genoma polinésio.  Quer dizer, viajaram mais de 7.000km, atravessaram até mesmo os temidos Andes… Os caras eram demais! Bem, essa é uma das hipóteses!

Os Botocudos

Os índios botocudos, também conhecidos como aimorés, eram bastante numerosos na época da chegada dos europeus. Hoje há pequenos grupos na Região da bacia do Rio Macuri (MG, ES, BA) e do Rio Pardo (MG, BA). Esse grupo indígena recebeu esse nome por conta do uso de botoques na boca e nas orelhas, que nada mais são do que discos de madeira. E você se achando moderninho com alargador!

Botocudos
Retrado de botucos, 1979.

Considerado agressivo, foi o povo que mais resistiu a perseguição implacável do homem branco desde sua chegada até o início século XX. Agressivos porque não trocavam seu território por espelhos, só pode!
Era comum que atacassem aldeias dos goitacases e dos puris, seus grandes rivais. Mas quem passasse por perto não estava imune aos ataques. Alguns dizem que tinham até o costume da antropofagia, ou seja, comiam humaninho…

Segundo o historiador Jonathas Durço, o catequizador Guido usou o índio Pokrane para pacificar as relações com as aldeias, convertendo-os ao catolicismo. Após isso, a Coroa Imperial iniciou o extermínio das pessoas desse grupo, foi nesse momento que quase se extinguiu a população dos botocudos.

Os Polinésios Botocudos?

 

Botocudos
Botocudos e seus adornos. Fonte: Prefeitura de Colatina.

As apenas duas não foram descartadas:

– A chegada dos polinésios através do Pacífico, antes da chegada dos europeus no período Pré-Colombiano;

– A outra seria que o DNA de antepassado dos botocudos teria aparecido por aqui antes da entrada daquele que consideramos o antecessor do povo das Américas, que foi há 12 mil-14 mil.

Provar qualquer uma dessas hipóteses é praticamente impossível.

Há evidências que os polinésios se expandiram para lugares distantes, como Nova Zelândia, Havaí e a Ilha de Páscoa, quiçá até a América do Sul. O surpreendente é a possibilidade de terem chegado ao Brasil, se estabelecendo no Sudeste do país e não mais ao Oeste, terem atravessado os Andes e toda aquela mata fechada desconhecida!

O trabalho que foi publicado na Current Biology em 2014, teve a contribuição do pesquisador Sérgio Penas da UFMG. Para Penas, provavelmente nenhuma das hipóteses é a correta e que agora teremos a resposta só muito mais a frente.

Artigo na integra: http://www.cell.com/current-biology/abstract/S0960-9822%2814%2901274-3

 

Vale a pena saber
Cerimônia Rapanui
Cerimônia Rapanui. Fonte: Patricio Antonio Soto Latrille/ CC3.0

Um outro estudo também publicado na Current Biology em 2014, analisou os Rapa Nui, que são os nativos da Ilha de Páscoa. A partir do DNA de 27 indivíduos, com o seguinte resultado: 76% polinésio, ~8% nativo americano e ~16% europeu.

Usando um marcador genético, viu-se que esse contato com os nativos americanos teria acontecido há 19-23 gerações, por volta de 1.280 a 1.495. Já o contato europeu ocorreu por volta de 1.850 a 1895, com a expansão europeia.

Os Rapa Nui estiveram desconhecidos até 1.722, acredita-se que o povoamento da ilha tenha ocorrido aproximadamente em 1.200. A Ilha é a mais ao leste do Triângulo Polinésio.

Os cientistas deste estudo acreditam que eram os polinésios que empreitavam as viagens de barco, pois sabiam que seguindo em determinada direção chegariam a um continente e que o contrário seria mais difícil, como achar um pequeno pedaço de terra naquela imensidão de mar.

São coisas como essas que fazem com que não desprezemos a capacidade do homem em nenhum tempo!

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