A extinção dos mamutes

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on Twitter

Faremos uma série com três partes sobre os mamutes. Animal parente do elefante que viveu durante a Era do Gelo. Graças ao frio seus fósseis foram conservados por milhares de anos, encontrando desde adultos a filhotes.

Seguiremos essa sequência:

  • Extinção dos mamutes;
  • Bebês mamutes;
  • Clonagem.
O último mamute
Manny
Manny, do filme a Era do Gelo.

As primeiras aparições do mamute datam de 700.000 anos na Sibéria e depois se espalhando para o norte da Eurásia e também indo para a América do Norte. Nesse meio tempo sofreram duas grandes baixas da população: a primeira há 300.000 anos e a segunda há 12.000 anos. Na última baixa, passaram de milhares para centenas, permanecendo assim até sua extinção.

O mamute-lanoso foi a última espécie de mamutes a se adaptar as regiões mais ao norte do planeta, durante a última Era do Gelo. Possuíam o tamanho de um elefante africano moderno.  Os primeiros humanos puderam conhecer nosso amiguinho pré-histórico. E desde aqueles tempos, os humanos aproveitavam tudo desse animal, ossos e presas eram usados para arte e ferramentas ou, como vimos em A Era do Gelo, serviam de comida!

Aproximadamente há 10.000 anos, eles foram extintos da América do Norte e da Ásia Continental. Acredita-se que isso ocorreu devido à caça e à mudança climática. Apenas um pequeno grupo sobreviveu em ilhas entre a Sibéria e o Alasca, como a Ilha de Wrangel e a Ilha de St. Paul. Mas o que deu fim a espécie nessas ilhas isoladas sem a nossa presença “virtuosa”?

Os matutes da Ilha de Wrangel
Ilha de Wrangel
Ilha de Wrangel vista por satélite. Crédito: NASA.

A Ilha de Wrangel se formou com o aumento do nível do mar. O que era antes parte Rússia continental, virou uma ilha isolando os amigos do Manny (mamute do A Era do Gelo).

Publicado na Elsevier em 2015, um grupo de cientistas avaliou o genoma de alta qualidade de mamutes de diferentes épocas: um da Ilha de Wrangel de aproximadamente 4.300 anos e outro do Norte da Sibéria com aproximadamente 44,800 mil aninhos.

Sabe quando fazem aquela piada que aquele seu amiguinho que não bate bem da bola é filho de primos? Pois bem, a baixa variação genética pode aumentar as chances de doenças e assim vai.

Os pesquisadores encontraram qualidades genéticas diferentes entres os dois mamutes. O do grupo do remanescentes tinha sinais de consanguinidade e baixa heterozigosidade. Ou seja, antes da extinção, muitos deles se reproduziram entres os próprios familiares, devido ao próprio isolamento que a ilha proporcionava.

Não se sabe como isso poderia ter desencadeado o desaparecimento, mas acredita-se que foi um fato culminante para extinção deles.

Os mamutes da Ilha de St. Paul
Ilha de St. Paul, Alasca
Ilha de St. Paul, Alasca. Crédito: U.S. Army Corps of Engineers.

Em meados de 2016, foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences of United States of America o que cientistas canadenses acreditam ser a resposta para o desaparecimento dos mamutes na Ilha de St. Paul, que fica no Alasca.

Como em muitas teorias, leva em consideração a variação climática dessa época, que era mais seca e com os níveis dos mares subindo cada vez mais.  O estudo quis mostrar como esse paleoambiente teria impacto nas vidas dos mamutes.

A vegetação permaneceu estável e não havia presença de humanos durante o período (ufa, dessa vez não foi a gente!).

Quanto aos lagos, acredita-se que os mamutes defecavam, urinavam, tomavam banho… Enfim, faziam tudo por ali. E que então, seu DNA estaria lá no fundo do lago de alguma forma.

Para identificar quando os mamutes passaram dessa para melhor de vez, pegaram os sedimentos do lago, cujos núcleos foram datados por carbono-14 (ou radiocarbono).

Concluíram que o desaparecimento ocorreu há 5.600 anos, devido a um fungo que crescia no estrume do mamute que foi datado por radiocarbono.

Nesses sedimentos também analisaram micro-organismos e algumas outras criaturas que viveram nesse período para avaliar a qualidade da água. Além de avaliar a quantidade de oxigênio e a taxa de evaporação entre 7.850 e 5.600 anos atrás. O que se viu foi que o lago se tornou mais raso, mais salgado e mais turvo.

Os níveis do mar cada vez mais altos diminuía a ilha e os lagos mais rasos devem ter levado os mamutes a adotarem táticas similares aos elefantes modernos: recorrer a vegetação. Isso talvez tenha contribuído para a erosão das margens do lago, piorando ainda mais a situação

Pois bem, disso tudo tiramos que seu fim foi devido à falta de água doce. O próprio estudo quis salientar a importância de estudar isso nos dias atuais: como será e quais serão os perigos das populações humanas que vivem em ilha, como a disponibilidade de água e o aumento dos níveis dos mares.

Qual das duas está certa??

São teorias que se complementam, uma não exclui a outra. Foram avaliadas populações diferentes, mas ambas trabalham com ideia que ilha é um lugar que restringe a diversidade e fuga da inospitalidade do meio. Enfim, eles não foram capazes de sobreviver a todas as mudanças ambientais.

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on Twitter