O Atum de 2 milhões de reais

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No tradicional leilão de peixes que acontece no Japão, um exemplar do atum-rabilho, peixe bastante disputado na Ásia, foi arrematado por 74,2 milhões de ienes.  O comprador já é velho conhecido dos leilões, Kiyoshi Kimura é detentor do recorde quando falamos em atum: em 2013, pagou 155,4 milhões por essa mesma espécie de atum. E eu achando o atum em lata no mercado caro!

Kimura Atum Rabilho
Kimura exibe sua aquisição do início do ano de 2017: o atum-rabilho

Kimura é dono de uma rede restaurantes e, por 6 anos consecutivos, foi o vencedor do Leilão de Ano Novo. Ele ainda não sabe por quanto será vendido o peixe, mas quem estiver no Japão e quiser abrir a mão, seu restaurante se chama Sushizanmai. Essa espécie é bastante usada no preparo de sushis e sashimis, mas corre risco de extinção!

Acordo Internacional

Em 2013, o Japão se comprometeu a reduzir 15% da pesca desse exemplar de atum gigante, o que segundo o Greenpeace é insuficiente para proteger a espécie que já é considerada extinta no Mar Negro. Além do Japão, outros oito países assinaram um acordo para reduzir a pesca, entre eles os Estados Unidos, China e Coreia do Sul.

Mercado de Tsukiji
Mercado de Tsukiji: exposição de atuns congelados. Fonte: chris_73/ CC3.0

Esse acordo também limitou a pesca de atum-vermelho de até 3 anos de idade e os valores de referência de pesca usados foram dos anos 2002 e 2004.

O Bichão

O atum-rabilho é uma das oito espécies de atum e está distribuído em diferentes populações no Mar Mediterrâneo e nos Oceanos Atlântico e Pacífico. Conhecido por Thunnus thynnus, é separado em Thunnus orientalis (Oceano Pacífico) e Thunnus maccoyii (Oceano Atlântico e Mar Mediterrâneo).

Thunnus orientalis
Thunnus orientalis: atum-rabilho do Oceano Pacífico. Fonte OpenCage/CC2.5

Esses peixes podem medir até 3 metros de cumprimento e atingir 650 kg, no entanto os mais comuns ficam entre 1 e 2 metros e aproximadamente 450kg.

São animais de águas profundas e andam em pequenos cardumes. Vivem por todo Atlântico Norte e Mar Mediterrâneo e, como falado antes, a população do Mar Negro já se encontra extinta. Diferente de outros peixes, ele não consegue viver em cativeiro (e quem consegue?!).

Almadraba
Almadrava: antiga armadilha para pescar atuns. Fonte: Cadiz Turismo

O peixe é consumido no Mediterrâneo há centenas de anos e até hoje utilizam uma técnica de pesca criada pelos fenícios, conhecida por almadravas. Atualmente, 70% da pesca feita no Mediterrâneo é exportada para o Japão, país que é não só o maior consumidor de atum do planeta como é líder na pesquisa de pesca da espécie.

O peixe, que é conhecido por ser rico em ômega-3, viu 90% da sua população sumir da década de 1970 aos dias atuais. A foto acima faz com que tenhamos ideia do porquê.

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