O Tubarão de 400 anos da Groenlândia

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Durante anos, nenhum pesquisador conseguia entender os mistérios que acercavam o animal de 5 metros que nadava em águas profundas. Até então não se sabia como determinar o marcador de idade do tubarão, mas biólogos marinhos da Universidade de Copenhague descobriram que o tubarão-da-Groenlândia (Somniosus microcephalus) têm no mínimo expectativa de vida de 272 anos, isso o torna o animal vertebrado com a maior expectativa de vida existente.

Só para se ter uma ideia, um tubarão comum tem expectativa de vida entre 20 e 30 anos. As primeiras espécies de tubarão apareceram há 400 milhões de anos!

O enigma

Há mais 50 anos, o biólogo Paul Marinus Hansen reportou um tubarão que crescia apenas poucos centímetros ao longo de anos e isso intrigava os especialistas que só podiam especular o tempo de vida do animal. Podemos dizer que cresciam apenas 1cm por ano!

Cálculo tradicional: Uma forma de determinar a idade do animal é através dos otólitos. Os otólitos são corpos calcários que ao longo dos anos aumentam de tamanho aderindo carbonato de cálcio. Situados no ouvido, eles servem não apenas para a audição como para o equilíbrio. Em diferentes faixas de crescimento, o carbonato de cálcio impregna de maneira diferente, criando faixas translúcidas e outras opacas. Um anel pode representar de um ano a um ano e meio.

Otólito
Otólito. Crédito: NOAA.
Cristalino dos tubarões

Pesquisadores dinamarqueses descobriram uma maneira de datar a idade desses tubarões: carbono-14 ou carbono-radioativo. Era no cristalino dos olhos dos tubarões que estava guardado todo o segredo.

O cristalino do tubarão, assim como de outros vertebrados, consiste em um tecido metabólico inativo. A parte central do cristalino permanece inalterada desde o momento do nascimento, portanto a composição química do cristalino pode revelar a idade do animal.

Tubarão-da-Groenlândia
Tubarão-da-Groenlândia. Crédito: Julius Nielsen/Science.
E aí?!

O método do Carbono-14 no cristalino já havia sido empregado em baleias, mas nunca antes em peixes. O método, que geralmente associamos a descobertas arqueológicas, se mostrou eficaz nas 28 tubarões fêmeas estudadas. Só foi possível chegar aos resultados porque juntaram os esforços de 3 institutos: Universidade de Copenhague, Aarhus University e Greenland Institute of Natural Resources.

O trabalho, que foi publicado na Science, usou a década de 1960 como marcador temporal, porque na década anterior havia um pulso maior de carbono-14 devido as bombas atômicas, ou seja, mais carbono-14 na atmosfera. A presença dessa diferença indicaria que essas fêmeas teriam 50 anos.

Dos três tubarões menores, dois apresentavam níveis menores do carbono-14, portanto nasceram depois da década de 1960. Já um dos menores, apresentava um nível um pouco elevado, indicando que nasceu no início da década de 1960. Acredita-se que esse último tenha incorporado o carbono-14 se alimentando de outros animais.

A partir dos demais 25, os cientistas juntaram o lento crescimento com os resultados do carbono-14 para chegar aos resultados.

Um dos animais estudados, uma fêmea com um pouco mais de 5 metros, a maior do grupo, calcularam uma idade média de 392 anos! E mais, que a maturação sexual, ou seja, que possa fazer filhotinhos, ocorra a partir dos 150 anos.

Conhecer sua longevidade e seu crescimento são passos para poder estudar mais a fundo a fisiologia do animal. Esses tubarões são os maiores do mundo e representam um papel importante no ecossistema do Ártico. Por milhares de anos, esses animais têm sido vítimas acidentais da pesca. O estudo ajudará a acompanhar o crescimento e o desenvolvimento da população e, quem sabe, agora com o grande alcance da notícia, sua preservação seja aumentada.

Tubarão-da-Groelândia
Tubarão-da-Groenlândia. Crédito: NOAA.
Curiosidades
  1. Sua carne é tóxica, não serve para alimentação por causa da alta concentração de N-óxido de trimetilamina. O consumo da carne sem tratamento pode ter efeitos como a sensação de estar extremamente bêbado, há casos de cachorros que consumiram e depois não conseguiram levantar.
  2. Se alimentam principalmente de peixes e, às vezes, focas (inteiras, não quis colocar foto). Mas já foram encontrados dentro dele pedaços de cavalos e URSOS POLARES!
  3. Na Islândia, consome-se uma carne seca e putrefacta feita da carne desse tubarão chamada Hákarl.
  4. Sua carne seca é usada para fazer ração de cachorro.
  5. O tubarão-da-Groenlândia é a espécie de tubarão que nada mais devagar. Mas sabe como ele consegue caçar presas como a foca? Ele espera a foquinha dormir! Assim como faz para caçar a foca, esse tubarão faz com os outros animais.
  6. Existe um parasita que ataca seu olho, mas a visão não atrapalha sua sobrevivência. O Ommatokoita elongata é um parasita que também vive no tubarão-dorminhoco-do-Pacífico (Somniosus pacificus).

Estudo dinamarquês: http://science.sciencemag.org/content/353/6300/702

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