O que é a Grande Ilha de Lixo do Oceano Pacífico?

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on Twitter

Em 1997, Charles Moore retornava de uma competição de barco a vela, fazendo o trajeto do Havaí a Los Angeles, quando se deparou com uma grande quantidade de lixo plástico flutuando no mar do Pacífico.

Segundo ele, “Enquanto eu olhava do deck para a superfície do que deveria ser um oceano pristino, eu era confrontado, até onde os olhos podiam ver, com uma vista de plástico”.  1

Essa é a história da descoberta daquilo que chamamos de Grande Ilha de Lixo do Pacífico: uma área do Oceano Pacífico que possui uma grande concentração de plástico, que atinge até 10 metros de profundidade e cuja estimativa da área é de aproximadamente 700 mil quilômetros quadrados, isto é, maior que o estado de Minas Gerais e Rio de Janeiro somados.

Apesar do nome, essa região não é realmente uma ilha de plástico flutuante. Esse fenômeno não é visível por imagens aéreas ou fotografias de satélite. A maior parte do depósito de lixo é formada pelo que chamamos microplásticos, partículas de até 5mm de comprimento. Tais partículas são criadas pela fragmentação de objetos maiores por meio da ação de raios solares e das ondas.

A “ilha”, na verdade, é uma espécie de sopa de plástico, sendo também denominada de Grande Sopa de Lixo do Pacífico.

Microplásticos no microscópio.
Microplásticos no microscópio. Crédito: Martin Loeder

O fato de ser uma espécie de sopa não diminui o seu impacto ambiental, visto que diversas espécies são afetadas por ele. Os microplásticos funcionam como uma espécie de esponja, absorvendo as toxinas presentes no mar como resíduos de inseticidas e pesticidas.

Somado a isso, muitos animais marinhos confundem os microplásticos com phitoplanktons e se alimentam deles, ingerindo, também, suas toxinas. Entretanto, ainda não foi determinado se essas toxinas chegariam até os humanos através da cadeia alimentar 2

Zooplankton consumindo microplástico.
Zooplankton consumindo microplástico. Crédito: Screenshot de Plankton munching microplastics. por PopScience!

Um dado alarmante sobre esse fenômeno é de que a formação dessa sopa não se deve a poluição provocada por navios, mas se origina, principalmente, do lixo proveniente dos Estados Unidos e do Japão. Segundo estimativas, o mundo descarta entre 5.3 a 13.7 toneladas de lixo plástico no mar todo ano3.

Embora pareça um fenômeno distante, pelo fato do Brasil não possuir contato direto com o Oceano Pacífico, recentemente foram descobertos depósitos de lixo semelhantes em todos os oceanos, inclusive no Atlântico. O do Pacífico foi apenas o primeiro a ser descoberto e, portanto, o mais estudado até hoje. A questão do lixo depositado no mar é um problema de todos nós.

PS: Iemanjá não curtiu suas oferendas no Ano Novo!

 

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on Twitter