Você sabe o que é Amnésia Infantil?

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É muito raro que consigamos ter lembranças dos eventos que ocorreram nos nossos primeiros anos de vida. Segundo estimativas, a primeira lembrança que os adultos conseguem se lembrar ocorre aos três anos de idade. Esse fenômeno recebeu o nome de amnésia infantil e é ainda hoje objeto de grande controvérsia na psicologia e na neurociência.

A amnésia infantil foi descoberta pela primeira vez no final do século XIX e só receberia esse nome em um texto de Freud, no início do século XX. Desde então, pesquisadores de diversas áreas do conhecimento tem se debruçado sobre a questão e algumas teorias foram apresentadas para tentar explicar o porquê de não possuirmos memória sobre os eventos da nossa primeira infância.

 

Bolo de 2 anos
Se seguirmos a teoria da amnésia infantil, não é preciso um bolo muito elaborado nos primeiros dois anos de vida, visto que a criança não vai lembrar de nada.
As Primeiras Explicações

Uma delas, mais próxima da psicologia, indica que a falta de memória desse período estaria relacionada com o fato de que a criança antes dos três anos de idade não possuiria ainda pleno domínio da linguagem e, por isso, ela registraria os eventos que vivência a partir de um conjunto de códigos próprios, impossível de ser decifrado pelo seu próprio “eu” adulto.

Outra possibilidade, defendida por neurologistas, estaria ligada a própria formação do cérebro: o cérebro infantil, nessa idade, ainda não estaria completamente formado e, portanto, não possuiria as estruturas necessárias para registrar memórias da mesma forma que nós, adultos, possuímos.

Entretanto, essas hipóteses partem de um pressuposto que está sendo questionado pelos estudos mais recentes: o de que memórias não estão sendo formadas nesse período da vida. É possível que a questão esteja, na verdade, relacionada com mecanismos de esquecimento de memórias infantis desenvolvidos em uma idade mais avançada.

Coelho da Páscoa
É sempre possível encontrar situações em que a amnésia infantil pode ser útil.

 

Teorias Recentes

Em um artigo de 2015 Patricia J. Bauer e Marina Larkina analisaram a retenção de memória em crianças entre 3 e 9 anos de idade e descobriram que as crianças não só lembram dos eventos ocorridos antes dos 3 anos, como são capazes de reter a maior parte dessas memórias até cerca de 7 anos, quando as memórias da primeira infância vão sendo progressivamente esquecidas.

Embora não apresentem conclusões do porquê que o fenômeno ocorre, as pesquisadoras colocam em cheque as teorias de que as memórias não estavam sendo formadas de uma forma inteligível, seja devido ao domínio da linguagem ou ao estado de formação do cérebro infantil. Elas atribuem a sua descoberta a um elemento metodológico: os estudos anteriores partiam da análise de pessoas adultas e de sua incapacidade de lembrar dados de sua infância e não estudavam diretamente as crianças.

Criança Pensativa

 

Um estudo mais recente, e que tem por base as ideias apresentadas Bauer e Larkina, apresenta ainda uma nova teoria para o problema: o fenômeno de erros telescópicos na formação das memórias. Qi Wang e Carole Peterson coletaram relatos de lembranças de um grupo de crianças conforme elas cresciam entre os 4 e os 9 anos e analisaram como eles descreviam as mesmas memórias em diferentes fases da vida.

O resultado apresentado é que, conforme as crianças cresciam eles descreviam as mesmas memórias, mas modificavam a idade na qual elas teriam ocorridos: eventos que antes eram vinculados ao primeiro ano de vida seriam transportados para o segundo ano de vida e, posteriormente, para o terceiro ano de vida. Esse fenômeno é chamado de erro telescópico por dar a impressão que um fato está localizado mais próximo do que ele realmente se encontra, como um telescópio ou o retrovisor de um Jeep do Parque dos Dinossauros.

Dessa forma, a hipótese apresentada pelos autores é de que a questão da amnésia infantil não esteja vinculada a formação de memórias, mas a um problema de atribuição. Nós temos memórias anteriores aos nossos 3 anos de idade, mas nós sempre pensamos ser mais velhos do que realmente éramos quando os eventos ocorreram, com no mínimo, 3 anos de idade.

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